O Corinthians está em uma situação delicada após receber uma oferta de patrocínio da Fatal Models, uma empresa que oferece serviços de acompanhantes e conteúdo adulto. A decisão do clube será crucial para a sua imagem e reputação. A Fatal Models é uma das principais apoiadoras do futebol brasileiro, mas seu apoio é celebrado de forma quase sigilosa. O grupo, que contém plataformas de acompanhantes e conteúdo adulto, é repudiado por muitos em nome dos valores da família tradicional. Esses que berram contra a entrada da Fatal no futebol são os mesmos que parecem não ter nada contra a entrada de casas de apostas na sociedade, e também, não por acaso, os mesmos que contratam (sigilosamente, claro) os serviços de trabalhadoras sexuais. Falemos de prostituição por alguns minutinhos antes de revelar detalhes sobre a proposta de patrocínio que a Fatal fez ao Corinthians porque imagino que haverá uma grita para que o Corinthians recuse a oferta. O trabalho de prostituição está associado à vergonha, mas seria importante ressaltar que, nesse caso, a vergonha da qual a sociedade fala não recai sobre quem contrata, mas sobre quem vende. Receber para ter relações sexuais é ofensivo por quê? O que atravessa as relações entre homens e mulheres na nossa sociedade desde sempre? A troca. Quantos casamentos se sustentam nesses termos do "eu te sirvo, você me paga" ainda hoje? O casamento na origem é a legitimação dos serviços sexuais de uma mulher em relação a um homem. A vergonha deveria colar apenas naqueles que exigem fidelidade de suas parceiras e saem por aí praticando o oposto. Eis aqui algumas verdades incômodas. No interior de uma sociedade constituída sobre o regime da diferença sexual, esse que impede que homens revelem suas vulnerabilidades, alguns homens pagam por serviços sexuais para se eximir da responsabilidade afetiva. Não precisa telefonar depois, cuidar se adoecer, discutir a relação. É um contrato direto, sem rodeios. Como me disse uma vez uma trabalhadora sexual: o lugar mais honesto do mundo é o prostíbulo. Agora que tratamos da dimensão da hipocrisia, vamos falar de segurança. Um dos problemas que pesam sobre a prostituição quando ela é deslegitimada é a falta de segurança da